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30 de set.
3 min de leitura

Estudantes da 3ª Série do Ensino Médio promovem um Café Antropofágico



Estudantes visitam o Café Antropofágico da 3ª Série do Ensino Médio
Estudantes visitam o Café Antropofágico da 3ª Série do Ensino Médio

Literatura, arte, poesia e criatividade ganharam espaço no Café Antropofágico – “Devorando o Brasil”, realizado no SESI Votorantim. Organizado pelos estudantes da 3ª Série do Ensino Médio, o projeto transformou o estudo do Modernismo brasileiro em uma experiência de aprendizagem que uniu conhecimento, expressão artística e protagonismo juvenil.


Inspirado no conceito de Antropofagia Cultural, associado ao escritor Oswald de Andrade, o evento propôs aos estudantes não apenas conhecer as obras modernistas, mas “devorá-las” e transformá-las em novas produções, estabelecendo diálogos entre a literatura brasileira e questões do mundo contemporâneo.


Estudante apresenta o painel informativo
Estudante apresenta o painel informativo

Durante o Café Antropofágico, os visitantes puderam conhecer painéis informativos sobre autores e obras modernistas, releituras artísticas, o varal “Antes e Depois” e produções literárias elaboradas pelos estudantes.


Um dos destaques foi o Festival de Slam, que levou a poesia para o palco e possibilitou aos estudantes expressarem, por meio da palavra falada, suas percepções sobre identidade, juventude, sociedade e Brasil. A atividade valorizou a oralidade, a criatividade e a autoria dos participantes.


O evento também contou com entrevistas com autores da comunidade escolar e local, aproximando a literatura das histórias e experiências presentes no cotidiano dos estudantes. A proposta mostrou que a produção literária não está apenas nos grandes livros e nos nomes consagrados, mas também nas pessoas que escrevem, contam histórias e compartilham suas experiências.


Entre as referências estudadas estiveram obras como “Macunaíma”, de Mário de Andrade; “No Meio do Caminho”, de Carlos Drummond de Andrade; “Os Sapos”, de Manuel Bandeira; “Motivo”, de Cecília Meireles; “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto; “O Quinze”, de Rachel de Queiroz; “Capitães da Areia”, de Jorge Amado; e “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector.


Nas artes visuais, as produções dialogaram especialmente com obras de Tarsila do Amaral, como Abaporu, Operários e Antropofagia. Os estudantes analisaram as pinturas e produziram releituras relacionadas a temas atuais.


Mais do que uma atividade de culminância, o Café Antropofágico representou uma forma diferente de estudar literatura. Ao longo do projeto, os estudantes foram convidados a pesquisar, interpretar, criar, apresentar e compartilhar suas produções.

A proposta também reforçou uma das principais ideias do Modernismo: olhar para o Brasil, questionar modelos estabelecidos e construir novas formas de expressão a partir da diversidade cultural brasileira.


Com literatura, arte e voz estudantil, o Café Antropofágico mostrou que ler os clássicos também pode ser uma forma de criar algo novo.


Literatura e História também fizeram parte do café


Em uma proposta interdisciplinar desenvolvida pelas professoras Silvia Eloiza e Mariana Ribeiro, o Café Antropofágico também recebeu uma exposição de produções artísticas e literárias realizadas pelos estudantes da 1ª Série do Ensino Médio.


As obras abordaram a chegada e a invasão do território brasileiro pelos portugueses, propondo uma reflexão crítica sobre esse processo histórico e suas consequências para os povos originários.


Cartas produzidas pelos aluns
Cartas produzidas pelos aluns

Um dos destaques da exposição foi a apresentação de cartas produzidas pelos estudantes a partir do ponto de vista dos povos indígenas, buscando imaginar e representar como a chegada dos portugueses poderia ter sido percebida por aqueles que já habitavam o território.


A proposta ampliou o olhar sobre a história ao questionar narrativas construídas a partir de uma única perspectiva e convidar os visitantes a refletirem sobre quem conta a história, quais vozes são ouvidas e quais foram silenciadas.


A presença dessas produções dialogou diretamente com a proposta antropofágica do evento: revisitar referências, questioná-las e produzir novos sentidos a partir de diferentes perspectivas.



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